Quem é Ronald Dela Rosa, senador filipino acusado de crimes pelo TPI

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O senador das Filipinas Ronald Dela Rosa pediu à população que interviesse para impedir que agentes da lei o entregassem ao Tribunal Penal Internacional, enquanto o som de tiros ecoava pelo prédio do Senado nesta quarta-feira (13). 

Dela Rosa é acusado pelo TPI de crimes contra a humanidade relacionados durante a “guerra às drogas”, que supervisionou enquanto ainda era chefe de polícia durante o governo do presidente Rodrigo Duterte. Dela Rosa, de 64 anos, nega envolvimento em assassinatos ilegais.

Duterte, que governou de 2016 a 2022, foi preso e levado a cidade de Haia, nos países baixos, em março de 2025, sob um mandado que o ligava a assassinatos cometidos durante a sangrenta campanha de deportação, na qual milhares de supostos traficantes e usuários de drogas foram mortos. Ele também mantém sua inocência.

Qual foi o papel de Dela Rosa no combate às drogas?

Quando Rodrigo Duterte assumiu a presidência em junho de 2016, nomeou Dela Rosa, seu antigo chefe de polícia em Davao, para chefiar a Polícia Nacional das Filipinas, cargo que ocupou por 21 meses. Duterte concedeu-lhe ampla autoridade para replicar o modelo de combate ao crime de Davao em todo o país.

“Ele está deixando tudo por minha conta”, disse Dela Rosa, popularmente conhecido como “Bato” ou “Rock”, à agência Reuters na época.

Em seu primeiro dia como chefe da Polícia Nacional, Dela Rosa emitiu uma diretiva lançando a repressão nacional contra as drogas ilegais para cumprir a promessa de campanha de Duterte.

O programa, denominado Projeto Double Barrel, foi inspirado na estratégia policial da cidade de Davao e tinha como objetivo a “neutralização de indivíduos envolvidos com drogas ilegais em todo o país”.

O lançamento do decreto foi seguido por um aumento acentuado no número de assassinatos. A polícia relatou mais de 2.000 mortes entre a posse de Duterte, em 30 de junho, e o final daquele ano, a maioria descrita como ocorrida durante troca de tiros.

Quais foram as declarações de Dela Rosa enquanto chefe de polícia?

Dela Rosa usou uma retórica violenta enquanto liderava a Polícia Nacional das Filipinas durante o combate às drogas no país. 

Algumas dessas declarações foram posteriormente citadas em um documento judicial apresentado ao Tribunal Penal Internacional, que detalha as acusações que os promotores desejam apresentar contra o ex-presidente Duterte.

Dela Rosa prometeu publicamente “esmagar” os chefões do narcotráfico e alertou para “assassinatos em nome das drogas”.

Ele prometeu implementar “imediatamente” uma versão ampliada do modelo de Davao, declarando: “Se alguém reagir, morrerá. Se ninguém reagir, faremos com que reajam. Derramem sangue. Instilar medo.”

Um mês após sua nomeação, em um discurso para viciados em drogas confessos, Dela Rosa disse à multidão para matar os chefões do tráfico e queimar suas casas por tê-los levado ao vício em shabu, uma gíria para metanfetamina.

Número de mortos na Guerra às drogas

Quando Duterte deixou o cargo em 2022, o número oficial de mortos na guerra contra as drogas havia pelo menos triplicado. A polícia afirmou que 6.200 suspeitos foram mortos durante operações antidrogas.

O governo filipino reconheceu oficialmente 6.248 mortes em decorrência da campanha antidrogas.

Mas ativistas afirmam que o verdadeiro impacto da repressão foi muito maior, com milhares de usuários de drogas urbanos e pobres, muitos dos quais estavam em “listas de vigilância” oficiais, mortos em circunstâncias misteriosas.

Tanto Duterte quanto Dela Rosa não demonstraram arrependimento em sua defesa da campanha brutal, insistindo que a polícia só recebeu ordens para matar em legítima defesa.

A carreira política de Dela Rosa

Após deixar a polícia, Dela Rosa foi nomeado diretor-geral do Departamento Penitenciário, antes de se candidatar ao Senado nas eleições nacionais de 2019. Ele venceu e ficou em quinto lugar nas pesquisas, obtendo mais de 19 milhões de votos.

Ele concorreu e venceu um segundo mandato senatorial em maio de 2025.

Dela Rosa foi visto participando de uma sessão do Senado na segunda-feira (11) pela primeira vez desde que desapareceu da vista do público em novembro, ao proferir um voto decisivo em uma reformulação da liderança do Senado desempenhará um papel no iminente julgamento de impeachment contra a vice-presidente Sara Duterte, filha de Rodrigo Duterte.

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