Açúcar dá câncer? Mitos e verdades sobre a ligação da doença com a alimentação

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Embora não seja o único fator envolvido, está mais do que comprovado que a alimentação pode contribuir para o desenvolvimento de alguns tipos de câncer. Há um consenso científico de que certos padrões alimentares aumentam as chances do surgimento de tumores, enquanto outros ajudam a preveni-los. Segundo lembra a oncologista clínica Bárbara Sodré, da Oncoclínicas&Co, são diversas as causas que podem levar ao tumor: “Existem os fatores de riscos modificáveis e os não modificáveis. Por exemplo, a idade mais avançada não é passível de alteração. Ou, alterações genéticas, como a mutação do gene BRCA, que leva a uma maior chance de se desenvolver câncer de mama, de ovário ou de pâncreas.”

Quando se fala sobre os modificáveis, porém, a alimentação é um dos mais comuns – ao lado do sedentarismo, tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas e a obesidade, entre outros. Tanto que a Agência Nacional para Pesquisa sobre Câncer (IARC, na sigla em inglês), órgão ligado à Organização Mundial da Saúde (OMS), possui uma classificação de alimentos com risco potencial para o surgimento do câncer. A tabela está dividida em quatro grupos:

  1. 1A: onde se incluem os alimentos comprovadamente cancerígenos;

  2. 2A: provavelmente cancerígenos;

  3. 2B: possivelmente cancerígenos;

  4. 3: não classificáveis.

Um dos mecanismos por trás da ligação dos alimentos com o câncer está na saúde intestinal. “Alguns estudos mostram que os alimentos ultraprocessados, por alterarem o microbioma (grupo de bactérias presentes naturalmente no trato gastrointestinal), podem contribuir para o surgimento de certos tumores”, descreve ela.

A boa notícia é que, em contrapartida, uma dieta equilibrada pode ajudar o corpo a se proteger de processos inflamatórios, alterações hormonais e danos ao DNA, todos eles fatores que também podem favorecer o aparecimento do câncer. “Estima-se que até metade dos casos da doença poderiam ser evitados com hábitos mais saudáveis”, ressalta a nutricionista clínica Leticia Falquetti, docente do curso de pós-graduação em Nutrição de Precisão pelo Instituto LG, da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO). Sendo um deles, claro, a alimentação.

É importante lembrar, no entanto, que existem muitas notícias falsas a respeito desse assunto. Quem nunca ouviu falar – ou recebeu um link de algum site duvidoso – sobre receitas “milagrosas” contra o câncer? A série “Vinagre de Maçã”, baseada em fatos reais, é um exemplo recente. Nesse contexto, com a ajuda das especialistas, a IstoÉ fez uma lista de alimentos comuns na mesa dos brasileiros que apresentam (ou não) evidências sobre os seus potenciais carcinogênicos. Confira.

Carne vermelha e embutidos

Carnes processadas (também conhecida por embutidos), como salsicha, bacon, salame e presunto, entre outros, aumentam o risco de câncer no intestino – é o que demonstra uma análise da Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer. Elas são consideradas potencialmente prejudiciais por causa dos nitritos e nitratos, aditivos químicos usados para conservar e dar cor aos alimentos. Uma vez ingeridos, podem se transformar em nitrosaminas, substâncias carcinogênicas, especialmente no intestino. Uma porção de 50 gramas de carne processada ao dia aumenta o risco do câncer colorretal em 1%, segundo o relatório.

O relatório da IARC também chama a atenção para os malefícios associados ao consumo excessivo de carne vermelha, uma vez que o hábito está relacionado não apenas ao câncer de intestino, como também a tumores de pâncreas e próstata. Por essa razão, o Fundo de Pesquisa Mundial em Câncer (WCRF, da sigla em inglês) e o Instituto Americano para a Pesquisa do Câncer (AICR) sugerem que o consumo de carne vermelha se limite de 350 a 500 g de carne por semana (isso equivale a cerca de 3 a 4 porções médias).

Alimentos ultraprocessados

São aqueles produtos industrializados que passam por diversos processos de fabricação e contêm ingredientes como conservantes, corantes, aromatizantes e espessantes. Apesar da praticidade, na maioria das vezes eles têm baixo valor nutricional e alto teor de açúcar, sal, gorduras maléficas e calorias.

Os principais exemplos são: refrigerantes, sucos artificiais, bebidas energéticas, biscoitos recheados, bolos prontos, salgadinhos de pacote, macarrão instantâneo, lasanhas congeladas, sopas de pacote, cereais matinais açucarados, dentre outros.

Um estudo realizado na Inglaterra, que contou com a participação da Escola de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, mostrou que a alta ingestão de ultraprocessados aumentou em 7% o perigo de câncer em geral.

Açúcar

De acordo com a nutricionista Letícia, não é que o açúcar “alimenta” o câncer diretamente, como muita gente pensa. O consumo exagerado, contudo, pode levar à obesidade, resistência à insulina e inflamação crônica. Todas essas condições criam um ambiente mais favorável ao desenvolvimento da doença.

Um estudo recente da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, que avaliou as consequências do consumo de açúcar concluiu que ainda faltam evidências consistentes e padronizadas que permitam definir um limite diário específico com base exclusivamente no risco de câncer.

O risco parece ser dose-dependente, ou seja, quanto maior o consumo regular de açúcar, maior o risco indireto (principalmente por meio da obesidade e inflamação). O ideal, portanto, é consumir com moderação.

Adoçantes artificiais

Essa é uma área que ainda causa controvérsia. A maioria dos estudos mostra que adoçantes com sucralose, estévia e acessulfame-K, usados com moderação, são seguros. Mas alguns, como o aspartame, têm sido reavaliados por possíveis riscos se ingeridos todos os dias. “Em geral, o uso é mais indicado para quem tem restrição ao açúcar, como pessoas com diabetes”, explica a nutricionista.

A OMS não recomenda o uso de adoçantes não nutritivos (também chamados de não calóricos) como estratégia para controle de peso ou prevenção de doenças crônicas, como diabetes e câncer – a não ser em casos de pessoas com diabetes já diagnosticado.

Além disso, de acordo com um relatório da instituição, dados emergentes sugerem que eles podem afetar negativamente o microbioma intestinal, o que influenciaria o surgimento de doenças crônicas, inclusive câncer. Um dos motivos pelo qual o alimento foi inserido no grupo de alimentos possivelmente cancerígenos da OMS.

Bebidas alcóolicas

O álcool é classificado pela IARC como carcinógeno do grupo 1, ou seja, há evidência suficiente de que causa câncer em humanos. E quanto maior o consumo de bebidas alcoólicas, maior a probabilidade de tumores de boca, fígado, mama, faringe, laringe, esôfago e intestino.

Embora não exista um “nível seguro” para o consumo de álcool, algumas organizações sugerem limites de baixo risco. De acordo com as diretrizes dietéticas americanas, por exemplo, o limite seria de até uma dose por semana para mulheres e, para os homens, duas doses semanais. Sendo que uma dose padrão equivale a 350 ml de cerveja, 150 ml de vinho e 45 ml de destilado (vodka, uísque, cachaça).

Não é exagero, como mostrou um estudo feito por cientistas italianos publicado na revista Nature. Mesmo pequenas quantidades de álcool (como 1 taça de vinho por dia, por exemplo) aumentam a chance de câncer de mama e intestino, especialmente em mulheres, alertou a pesquisa.

Iogurte

Um estudo conduzido por pesquisadores do Brigham and Women’s Hospital e da Escola de Saúde Pública TH Chan, da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, indicou que consumir duas ou mais porções de iogurte por semana poderia reduzir em um quinto o risco de câncer colorretal (também chamado de câncer de intestino) nos casos associados à presença da bactéria Bifidobacterium. Apesar dos resultados animadores, especialistas recomendam cautela. o consumo regular de iogurte por si só não basta, sendo ideal que ele faça parte de um estilo de vida saudável.

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